História do Município de Flores de Goiás

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  • Nov 15, 2018
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Segundo relatos históricos, Flores de Goiás nasceu de um quilombo Chamado Conceição. Escravos chegaram as margens do rio Paraná fugindo da escravidão por volta do século XVI, longe da escravidão rezavam pra nunca mais voltarem ao regime desumano. Apegados a fé e devoção, a Nossa Senhora do Rosário quando ainda escravos, acreditavam ser ela a única força contra aquele regime. 


 

Segundo relatos históricos, Flores de Goiás nasceu de um quilombo Chamado Conceição. Escravos chegaram as margens do rio Paraná fugindo da escravidão por volta do século XVI, longe da escravidão rezavam pra nunca mais voltarem ao regime desumano. Apegados a fé e devoção, a Nossa Senhora do Rosário quando ainda escravos, acreditavam ser ela a única força contra aquele regime. Não tinham nem consciência da luta pela libertação na época, mas como ali viviam isolados e em maioria, gozavam de total liberdade. Construíram uma capela para praticarem sua fé. Mais tarde chegaram no quilombo fazendeiros baianos fugindo de uma grande seca que assolava o sertão baiano e diminuíam suas riquezas, uniram ali ao Quilombo, mais ainda eram separados apesar de cultuarem a mesma divindade os fazendeiros brancos tinham também sua capela e praticavam separadamente suas festividades.

No ano de 1653, o baiano Joaquim Rodrigues Tomar fundou o arraial de Vila de Flores, que deu o  pseudônimo ("Flores") em homenagem ao seu irmão MANOEL RODRIGUES TOMAR, como nome do arraial.                              

No ano de 1725 foi organizado o registro paroquial pelo Padre Joaquim de Souza Falcão, e em 1729, aconteceu a primeira incursão em terras do atual município.

Em 1740, Domingos Alves Maciel ali fixou residência, considerado fundador da localidade. Este pioneiro e mais alguns forasteiros andavam à busca de ouro, pois corria uma notícia de que ali, às margens do Rio Paranã, havia grandes veios auríferos. Com a queda da produção do ouro, a população que se fixou na localidade se dedicou à agricultura e à pecuária. 

Nessa época o povo que por ali residiam recebiam o nome popular de “florentinos”. 

Em 1835 Flores é elevada à freguesia.

Em 1º de janeiro de 1939, foi mudada a denominação de Flores, que passou a se chamar Urutágua, permanecendo distrito da cidade de Sítio D’Abadia-GO.

Ao passar a ser distrito de Sítio D’Abadia, recebendo o nome de Urutágua, sob administração dos prefeitos sitienses, nomearam como subprefeitos de Urutágua o Sr. Heleno Soares de Campos, Otávio de Moura, Joana Dias Costa, Pedro Rodrigues Loureiro , Deusdezino de Souza Ferreira, Raimundo Lopes de Oliveira e Elvira Campelo de Miranda.

Flores recebeu sua autonomia municipal pela Lei Estadual 4.926 de 14 de novembro de 1963, com a designação de Flores de Goiás, cuja instalação realizou-se em 1º de janeiro de 1964. 

No decorrer de sua historia, Flores de Goiás contou com ilustres prefeitos para o seu progresso, tais como: Damásio Ribeiro de Miranda (1964/1965); Deusdezino de Souza Ferreira (1966/1969); Santino Campelo de Miranda (1970/1972 – 1978/1982); Alípio Inácio de Alvinco (1973/1977); Mercedes Ribeiro de Miranda (1983/1988 – 1993/1996); Wagner Gualberto de Brito (1989/1992); Ranulfo Soares de Araujo (1997/2000); João Robério Marques (2001/2004); Maria dos Reis de Souza Ferreira Leal (2005/2008),

Valmim Soares de Campos (2009/2012), José Dias Pereira (2013/2016), Jadiel Ferreira de Oliveira (2017/2020)

O município de Flores de Goiás possui uma área de 3.709 Km2, com altitude 440, longitude 47º 03’ 01’’, latitude de 14º 26’ 55’’.

Limita-se com o município de Buritis de Minas Gerais e os municípios goianos: Sítio D’Abadia, Iaciara, Alvorada do Norte, Nova Roma, São João D’Aliança, Vila Boa, Formosa e Alto Paraíso; estando distante de Brasília 240 km e da capital goiana 430 km, cujo acesso se dá por meio da BR 020 e GO 531.

Ocorrem formas de relevo destacando-se uma extensa área de chapadas, morros e serras.

O clima da região é tropical quente semiúmido.

A temperatura apresenta certa oscilação. No inverno pode chegar a menos de 18º e no verão acima de 38º.

Recebe o nome de Flores por estar localizada em terreno plano coberto por pequeninas flores nativas e campestres que aparecem temporariamente em todo início das chuvas, de outubro a novembro.

 

CULTURA

 

 A caçada da rainha é um ato popular brasileiro realizado no município de Flores de Goiás, na segunda semana do mês de julho desde 1740. Esta festa tradicional tem representação de costumes na realeza (rei/rainha/rainha encostada/imperador - Portugal) mista com costumes africanos (Congo/Angola/Moçambique/bantos). 

Os negros do “Quilombo da Conceição que depois passa a se chamar Vila de Flores e depois Urutágua” cultivavam antigas tradições africanas e europeias, como a coroação do imperador do Divino Espírito Santo e tinha a capela de Nossa Senhora do Rosário dos negros, com as rezas realizadas com tambores feitos de troncos com couro de veado que fazem ritmo e improviso não há melodias, parecem gritos saídos da África. Sua dança era e é ainda o Batuque (Lundum) que completa a festa tradicional de Nossa Senhora do Rosário dos brancos iniciando-se pela caçada da rainha. Ainda nos dias atuais, podemos encontrar algumas parteiras e parteiros, benzedeiras e benzedores. 

 


Caçada da RainhaNa chegada da caçada da rainha, acontece o tradicional batuque (LUNDUM), onde são cantados versos africanos ao som da caixa e do tambor, com a participação do Rei, Rainha, romeiros, visitantes e filhos remanescentes do Quilombo.A caçada da rainha é recepcionada por mascarados ( Caretas ) que por sua vez brincam e se divertem com o público, os caretas protegem a rainha e sua careta fêmea, se alguém aproximar da careta leva umas boas chibatadas com chicotes de couro trançado rabo de Tatu. Ainda não encontramos explicação por esse ato cultural. Momento esse que não existe em nenhuma outra cultura no Estado ou até mesmo no Brasil.

 

  

  

  BATUQUE ( FLORES DE GOIÁS )

 

 Os batuques de Terreiro hoje dançados pelo povo remanescente desse quilombo, têm suas raízes nos eventos com dança e música que promoviam os escravos fixados na zona rural principalmente - fazendas, engenhos, garimpos -mas também em algumas áreas urbanas, realizadas nos poucos momentos de lazer de que dispunham. Os batuques marcam a presença da cultura banto, trazida pelos africanos vindos de Angola, do Congo e de Moçambique para diferentes rincões do Brasil. Nas fazendas distantes dos tempos do cativeiro, as festas de terreiro realizadas nas folgas semanais e dias feriados concentravam a vivência dos escravos enquanto grupo, já que no dia-a-dia eles trabalhavam dispersos no eito. Tudo acontecia nos costumes africanos através do canto e do corpo em movimento, ao som dos tambores. Era momento de louvar ancestrais, de atualizar a crônica da comunidade, de travar desafios capazes de amarrar com a força encantatória da palavra proferida.

Os versos metafóricos entoados nessas rodas só ofereciam ao branco um sentido mais literal, inócuo… Fato que deixava perplexos os observadores brancos: tratavase de diversão ou devoção? O mistério permanece até hoje, assim como os velhos tambores de tronco escavado, afinados a fogo, e venerados como verdadeiras divindades: Gomá, Dambí, Dambá, Quinjengue... As danças, individuais ou coletivas, mostram-se ora sensuais, descrevendo a corte amorosa que culmina no contato da umbigada - como no Batuque de Tietê e no Tambor de Crioula, por exemplo - ora de caráter sagrado, mimetizando os gestos dos Pretos Velhos, os antepassados.

Lamentavelmente, esse patrimônio cultural brasileiro de alta beleza e profundo refinamento, fonte viva de história, religião, arte e identidade para muitas comunidades afrodescendentes, vem sendo sistematicamente ignorado pela “grande cultura” e pelos meios de comunicação de massa dos africanos que morreram na escravidão. Com suas alfais feitas com duas peles tensionadas por cordas e tocados com baquetas: as caixas. Seus instrumentos vêm de sua importância germinal para a tradição do Rosário:

Segundo a lenda, foram os tambores feitos pelos escravos africanos que conseguiram tirar Nossa Senhora do Rosário aparecida nas águas com a força de seus batuques, após as vãs tentativas dos brancos. Assim teria se iniciado o festejo à Santa e toda a tradição do Reinado. “Madeira santa”, como dizem.

 

FIM DO QUILOMBO

 

No ano de 1653, o baiano Joaquim Rodrigues Tomar fundou o arraial de Vila de Flores, que deu o  pseudônimo (“Flores”) em homenagem ao seu irmão MANOEL RODRIGUES TOMAR, como nome do arraial.  

Conciliaram em construir um Templo para as praticas de ladainhas e festejos religiosos. Viveram centenas de anos com suas práticas religiosas e costumes. Uma negra de uma das famílias do quilombo doou suas terras para a Santa Nossa Senhora do Rosário, para que sua descendência ficassem seguras naquele território e tivessem como produzir o alimento. Colocou o nome das terras de Trindade que estendia cercando o quilombo já por nome de

Urutágua.                 

 Ha 30 anos atrás 98% eram de negros no censo municipal. Tanto vestígio, e provas culturais, evidenciam a existência de um dos quilombos mais antigos do Estado de Goiás.

As primeiras pessoas a assumirem a responsabilidade do “quilombo” eram realmente filhos do quilombo. Mudanças ocorreram na forma de administrar os interesses desse povo quilombola. Uma vez um território emancipado certamente seguiria às leis do pais. A adequação do controle social quilombola deixaria de ser aquilo que naturalmente era praticado pela tribo para se transformar em Lei Orgânica. A natureza favorecia a comunidade pelo dom intelectual de algumas pessoas que brigaram por um processo democrático com apenas a formação de 2ª série.

 Donos do território os quilombolas se transformaram em grandes proprietários de terra e bens. Mas, por falta de estudo acesso aos recursos de investimento e a educação, perderam suas terras para grileiros e para a reforma agrária como terras devolutas.

 O quilombo que foi emancipado era cercado pelas terras de Nossa Senhora do Rosário doadas por filhas negras do quilombo que além de doarem terras doavam animais como: gado, cavalos, ovinos, caprinos e porcos.

 Como o evento da comunidade era uma forma que a comunidade tinha de manter as despesas do patrimônio, despertou o interesse da Diocese regional em ter controle do patrimônio que estivesse em nome da Santa Nossa Senhora do Rosário que logo em seguida os vendeu deixando o quilombo cercado pelos grandes latifundiário brancos oprimindo seu povo e destruindo sua cultura. O quilombo que era cercado por demarcação histórica de locais como: a várzea do cruzeiro um local onde tinha um cruzeiro onde foi celebrada a primeira missa pelo Jesuíta que resistiu juntos com os escravos, Trindade, território onde cercava o quilombo, seguido por São Felipe, Santa Rita, Santa Cruz, e Morro. Esse território teve um marco importante na vida cultural do povo negro, pois era nele que sempre desenvolveu a cultura da caçada da Rainha e o cortejo pra dançar o batuque no terreiro do quilombo Flores Velha.       Flores de Goiás pede socorro. Já perderam todos os seus bens territorial e o que resta está desabando. O templo de Nossa Senhora do Rosário, construída pelos ancestrais no ano de 1740 e o desprezo e falta de apoio e incentivo a sua cultura, vem definhando pelas atuais gestão do próprio quilombo.      

Mesmo diante de tantas dificuldades, não deixamos de lutar pelo seu território e seu povo. 

Desde 2006 estamos lutando pelos direito do recuperação do patrimônio sem menor êxito. Precisamos que a Fundação Cultural Palmares, SEPPIR, Ministério do Turismo, Ministério da cultura e Ministério Público Federal, venha nos ajudar a recuperar nossa Identidade e nossa cultura, com o resgate e conservação do nosso patrimônio histórico. 

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